quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Docemente pornográfico


"Preciso sair da outra metade para ceder lugar ao iminente ato de foder".
[Ana Cristina Cesar]

Tenho reencontrado com meu desejo. Aquele que pulsa do meio do corpo para as extremidades. Desejo, não! Tesão mesmo. Pra que usar de eufemismos para disfarçar verborragias ditas pelo corpo? Quero escutá-lo, ou melhor, me escutar, já que o meu corpo sou eu. Passei muito tempo sabendo o que podia fazer, mas não podendo fazer o que sabia. Gozando com certa angústia. Imaginando meu pau como uma grande cicatriz. Pronto. Falei!

"Me benze dona Maria benzedeira, me põe em transe pra eu falar todos os palavrões do mundo e acordar pedindo comida, não quero mais pedir perdão, quero pedir comida."
[Adélia Prado]

Me tirem do altar dos pudicos ou então me coloquem junto com as Virgens de seio de fora ou com São Sebastião de torso retorcido por flechas que inflamam ereções involuntárias. Tenho insistido nesse reencontro para que não haja espaço entre um prazer e outro. O tesão, quando adulto, sabe que a felicidade não é um lugar, mas um movimento que se faz para alcançar o gozo.

E me valendo das ousadias que a poesia (sempre ela!) tem colocado em mim, quero registrar que meu tesão é mais do que eu digo e menos do que eu realmente acho. Para me livrar desse impasse, sabiamente tenho usado mais a boca que, entre tantos usos possíveis, está aqui só para sussurrar:

"Sejamos pornográficos, docemente pornográficos".
[Drummond]

Imagem garimpada na internet. Quem souber a autoria, levanta a mão.


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