domingo, 19 de maio de 2013

Bagunças de um futuro inquieto


Eu até tento perder o meu medo de errar. Mas não tem jeito, vira e mexe ele sempre reaparece no meu bolso. Mexe e vira ele está sempre no meu encalço. Sim, eu sei que o ônus em assumir as responsabilidades por minhas escolhas é todo meu, mas eu sou um frouxo, sabe? Se as escolhas feitas não me levaram ao horizonte imaginado por mim há seis anos atrás, eu tendo a espalhar a culpa por aí com medo de que, reunida em meu peito, essa mesma culpa me sufoque em inércias inomináveis.

Não gosto de me sentar sozinho no banco dos réus. Preciso de cúmplices. Há de ter um bando de culpados que, ardilosamente, arquitetaram a bagunça que virou minha vida. "É hora de fazer faxina!" - alguém me aconselhou e o desaforo que engoli diante dessa indicação eu vomito aqui: Só se for faxina definitiva, sabe? Sempre achei que quando a gente arruma demais, não sobra espaço para o inesperado... mas quer saber? Às favas com o inesperado! Tô cansado de faxinar o presente para o futuro (abusado!) desarrumar tudo em seguida.

É uma merda entender que a incerteza é a única constante da vida. Parece que não há saída. Mesmo assim, quero poder programar viagens para o próximo sábado ou para daqui a seis meses sem ter que fazer malabarismos para dar conta delas. Não quero me surpreender comigo mesmo, só quero de volta os planos para fazer esse futuro se aquietar diante de minhas arrumações. E guloso que sou, também quero planos para guardar na manga. Um monte deles! Todos engomadinhos e traçados com régua paralela.

Foto: Wolney Fernandes

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