terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Aos 7 e aos 40


"Aos 7 e aos 40" passou na frente dos livros que eu já estava lendo porque sua leitura é cativante e melancólica. Dessas que me pegam pelos detalhes e pelas incontáveis identificações.

Em duas narrativas, uma quando criança e outra já adulto, vemos o protagonista dizer adeus àquilo que separa o homem do menino.

Não conhecia o autor, mas fiquei impressionado com o modo como ele usa as palavras e faz combinações que nos puxa para a profundidade daquilo que ele descreve e tudo com muita delicadeza.

"Eu vivia entre as pessoas, as árvores, as casas. Não tinha aprendido ainda a viver na sua raiz, só saltava sobre seus galhos, no espaço entre uma e outra. Ignorava o que era voltar, eu só ia às coisas -era o meu tempo de começos. Pra mim havia o dia (a escola, os amigos, as brincadeiras) e a noite; mas a noite não era o fim do dia, a noite (o medo, o cansaço, o sono) era apenas uma escura hora antes de um novo dia.

Então foi que entendi, e, mais do que entender, eu senti o que era partir, quando num sábado, fui com meu pai, cinco horas de viagem, visitar o tio Zezo."


Uma história para quem gosta de olhar para trás para saber como continuar seguindo em frente. Triste, mas de uma beleza ímpar e íntima.

Tudo isso é ressaltado em um projeto gráfico incrível que divide as páginas do livro em duas narrativas: a infância na sua parte superior e vida adulta na sua parte inferior, estabelecendo uma cadência bem apropriada para a leitura.

Terminei o livro com uma vontade de escrever melhor.

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Aos 7 e aos 40 [4/5]
Autor: João Anzanello Carrascoza
Editora: Cosac Naify

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