domingo, 12 de janeiro de 2014

Maus


Nada me preparou para a leitura de Maus, essa HQ incrível sobre sobreviventes do Holocausto. Digo isso porque sempre me perguntei: O que ainda não foi dito ou escrito sobre as atrocidades vivenciadas pelos judeus por ocasião da Segunda Guerra Mundial?

Muitas coisas! É a resposta que Art Spiegelman nos dá ao narrar a história do próprio pai, um sobrevivente que conseguiu, com inteligência e um pouco de sorte, sair vivo dos horrores de Auschwitz. Dizendo assim, parece uma narrativa óbvia demais, mas não é! E não é porque o autor não se concentra apenas na parte histórica do relato, mas mostra, inclusive, a relação problemática que ele trava com o próprio pai, agora já idoso e cheio de manias.

Ao utilizar o recurso da metalinguagem com inteligência - na HQ, acompanhamos todo o processo de elaboração da mesma - o autor compartilha suas dúvidas, seus medos e expectativas em tornar público as dores do pai. Um filho tentando entender suas origens e mergulhando vertiginosamente na própria história.

O traço de Spiegelman é pesado e possui a densidade que a história sugere. É curiosa a escolha do artista em desenhar os judeus como ratos, os alemães como gatos, poloneses como porcos e americanos como cachorros. No entanto, na metade do livro há uma citação sobre o Mickey Mouse que justifica essa escolha de modo brilhante:

"Mickey Mouse é o ideal mais lamentável de que se tem notícia [...] As emoções sadias mostram a todo rapaz independente, todo jovem honrado, que um ser imundo e pestilento, o maior portador de bactérias do reino animal, não pode ser o tipo ideal de animal [...] Abaixo a brutalização do povo propagada pelos judeus. Abaixo Mickey Mouse! Usem a Suástica!" (artigo de jornal, Alemanha, meados da década de 1930).

Soco no estômago. Do princípio ao fim!
Tenha coragem e leia porque vale a pena!
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Maus [5/5]
Autor: Art Spiegelman
[Quadrinhos na Cia.]

Imagem capturada aqui

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