quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Branco como a Neve

O relógio digital ao lado cama marcava 9h17. Escorreguei pelos lençóis e edredons esverdeados com uma vontade enorme de continuar dormindo. O trabalho na madrugada anterior acabou desregulando novamente meu relógio biológico.

O barulho constante do aquecedor fez me aproximar da janela antes de entrar no banheiro. Afastei a cortina para deixar a luz entrar e então a brancura da neve invadiu tudo o que a vista alcançava. Vibrei porque aquela visão era inédita. Apesar de ver a neve cair em Nova York (sim, ela tem aquele formato de estrela que a gente ve decorando os enfeites de Natal) a chuva fina acabou levando todas as possibilidades dela se acumular e pintar tudo de branco.

Nevou por toda a madrugada e eu nem havia notado. Pela manhã o gelo se acumulou por todos os cantos de Columbus. Meu sono desapareceu frente aquela nova imagem e meu banho matinal foi bem rápido porque queria descer logo para registrar e experimentar a textura da neve. Parecia um menino que acabara de ganhar um novo brinquedo. Toquei, cheirei, fiz marcas, tirei foto, construí bolas, escrevi, pisei... Novas experiências sempre me fascinaram e queria lembrar-me desse fato da mesma forma intensa de quando vi o mar pela primeira vez.

Quando olhei para meu relógio de pulso tomei dois sustos. Primeiro porque toda a parte digital que marcava as horas no Brasil havia desaparecido. Restou apenas os ponteiros que marcavam as horas aqui nos EUA. Faltavam 15 minutos para o meio dia. Corri para me aprontar para ir ate a univerdade já um pouco nervoso por conta da apresentação que seria dali a alguns minutos. Leda, minha orientadora mostrou um pouco do trabalho que desenvolvia como professora na graduação em Artes Visuais e na pós-graduação em Cultura Visual. Em seguida foi minha vez de falar e mostrar minha pesquisa sobre o universo de Santa Dica.

Foi engraçado porque, enquanto falava para aquela sala lotada, meu pensamento não deixava a visão da cidadezinha onde nasci desaparecer. Como imaginar que as estórias ouvidas ali me trariam até aqui? Pensar nestas distâncias e aproximações me ajudou a terminar a apresentação e a responder as questões que surgiram em seguida. Terminei contente com o resultado, principalmente porque vi minha orientadora caminhar até mim cheia de novas idéias para a pesquisa. Todas elas capturadas na minha fala.

Com a motivação à flor da pele seguimos para a sala da Professora Cristine que iria nos falar de uma parte de sua pesquisa dentro do Second Life. O escritório da professora era incrível porque era repleto de referências visuais, as mais variadas possíveis. De cenas do filme "O mágico de Oz" a fotos de índios norte-americanos. O que mais achei engraçado foi a almofada com uma citação da Cinderela (!).

De lá seguimos para a próxima aula para novas apresentações e meu estômago comecou a reclamar de fome. Me encantei com os crachás feitos à mão que os alunos traziam sobre as mesas. Não resisti e pedir para registrar. A idéia para o segundo momento frente a novos alunos era falar sobre nossa história e de como nossa experiência vivida ia definindo, entre outros aspectos, nossos caminhos e escolhas acadêmicas.

Quando saimos para comer já passava das 18 horas. Fomos a um restaurante bem divertido onde serviam carne de porco de todas as maneiras imaginadas. Lá, a Coca-Cola era gratuita e nas paredes havia quadros bem divertidos com grandes personalidades mundiais usando narizes de porco. Comi além da conta.

Quando voltamos ao hotel, depois do dia cheio, não consegui dormir imediatamente e descobri que havia um computador disponivel para os hóspedes. Aproveitei para enviar noticias ao Brasil e tentar atualizar meu diário da viagem no blog que, como vêm, está quase uma semana atrasado.

A madrugada chegou novamente e, para minha surpresa, o clima pareceu um pouco mais quente. A roupa de cama do quarto fora trocada e agora tudo estava branco como a neve que continuava a cobrir tudo lá fora.

28 de Janeiro de 2008

Imagens: Wolney Fernandes

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