quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Inquietações de um Turista

O dia amanheceu muito frio e para piorar o vento não deixava ninguém sair do hotel. Fiquei no quarto pela manhã esperando a hora de ir novamente para a universidade. Nesse meio tempo de preguiça embaixo das cobertas, fiquei tentando responder as questões estranhas que povoavam minha cabeça sobre esse país. Minha mania de fazer listas promoveu o seguinte questionário:

1. Por que as diferentes notas de dólar têm a mesma cor?
2. Por que as pessoas tomam chá e café enquanto almoçam?
3. Por que o sinal de trânsito abre ao mesmo tempo para os pedestres e para os carros que vão virar na mesma rua onde se pretende atravessar?
4. Por que todo mundo tem GPS no carro numa cidade tão pequena?
5. Por que os preços nas etiquetas dos produtos nunca são os preços reais? (Há sempre uma taxa que se acrescenta na hora do pagamento).
6. Porque o sol não funciona?
7. Se não existem pontos de táxi por aqui, onde ficam os táxis quando não estão rodando nas ruas?

Essas dúvidas existenciais me acompanharam todos estes dias.

À tarde, na Universidade, depois de novas apresentações em outras salas voltamos ao hotel para nos prepararmos para um jantar na casa da diretora do Departamento de Artes. Sua casa era uma espécie de casa de campo e a viagem até lá demorou uns 40 minutos. Nesse tempo aproveitei para tirar várias fotos de um pôr-do-sol maravilhoso naquela paisagem plana como nosso planalto central.


O jantar foi muito agradável. Comemos uma espécie de Paella e uma sobremesa de chocolate que me fez esquecer todas as minhas promessas de emagrecer alguns quilos. De volta ao hotel liguei a tv e passava King Kong pela enésima vez desde que chegamos em Columbus. Tomei um banho e tentei dormir ouvindo música.

Minha inquietação de turista provocou sonhos bem insólitos. Em um deles eu olhava o céu marron e via um sol invertido que não conseguia iluminar uma estrada de tijolos infinita que saía da janela do quarto e seguia cheia de uma neve colorida. Estremeci e acordei no meio da noite com frio. Tinha esquecido de ligar o aquecedor.

29 de Janeiro de 2008

Imagens: Wolney Fernandes

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