quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Eu e a Saudade

O vôo para Ohio foi bem diferente de tudo o que já vivi . A começar pelo avião. Era bem pequeno e até um pouco apertado. A aeromoça (que neste caso era uma aerosenhora) parecia uma mãezona em sua cozinha. Sozinha ela serviu e cuidou de todo mundo durante o vôo de duas horas até Columbus.

Um casal tentava fazer o filho pequeno parar de chorar. Eu já estava ficando irritado com o barulho quando a mãe da criança comecou a cantarolar uma canção de ninar em português. A voz era tão doce que acalmou o bebê e me fez dormir também. Quando acordei já estávamos aterrisando em nosso destino.


A professora Vesta Daniel aguardava no aeroporto e levou-nos para o hotel onde iríamos permanecer os próximos dez dias. Para quem tinha saído de um albergue o local nos pareceu um paraíso. Uma extensa programação nos aguardava e começamos com um almoço no hotel para acertarmos horários e atividades.

À tarde resolvi ficar quieto e descansar um pouco. As longas caminhadas por Nova York me cansaram. Tomei um banho e quando terminei vi que estava passando "A Casa do Lago" na TV. Nao resisti. Entrei debaixo das cobertas e resolvi assistir o filme. Lembrei-me da combinacao trinitária que eu adorava fazer no Brasil: Sofá, chuva e sessão da tarde. Nem me lembro da última vez que pude experimentar isso. Confesso que a versão norte-americana não é tão boa (não era meu sofá e nem chovia lá fora). O frio aliado ao cansaço bastou para que eu dormisse até o início da noite.

Quando acordei, olhei pela janela do quarto do hotel e tudo me pareceu sem cor e sem graça. Acho que já era a saudade chegando. Deixei ela entrar e ficamos os dois, eu e a saudade, sentados, escrevendo e ouvindo música até a madrugada.

23 de janeiro de 2008
Imagens: Wolney Fernandes

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