segunda-feira, 27 de julho de 2009

Desafio 11


Desafiante da Semana: Adriano Antunes

Tema: "Pensei que isso bastasse. Pensei que amar você e que seu amor - o mais benéfico que jamais tive - seriam suficientes. Pensei que assim aquietaria a angústia que me faz sempre querer buscar novos horizontes e me impede de ser tranquilo ou simplesmente feliz e 'generoso'."

(trecho do e-mail em que Grégoire Bouillier rompe com Sophie Calle)
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De Wolney Fernandes, Horizontes de Inquietudes.


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De Adriano Antunes, Pensei Que Isso Bastasse.

Pensei, e talvez seja esse meu maior defeito: pensar demais. Tento explicar o mundo, achar soluções para coisas complexas e às vezes até para as mais simples.
Uma louca capacidade de absorver o mundo, como ele é, do jeito que é, e embrulhá-lo para presente com o papel dos meus sonhos e emocionais fitas de seda.

Pensei que isso bastasse...

Pensei, e talvez seja por isso que me aprisiono em equívocos constantes, tentando evitar a dor, minha e dos outros, antecipando reações, controlando impulsos, criando soluções.

Pensei que isso bastasse...

Pensei que amar fosse algo bom. Que neste ato de amar não precisasse achar respostas para entender, seria só sentir, simples assim.

Pensei que isso bastasse...

Pensei que a verdade fosse uma prova real de amor-amizade, ofertada sem medo, sem pudor, de peito aberto, cabeça erguida.

Pensei que isso bastasse...

Pensei que nunca me sentiria só se estivesse cercado de pessoas, em lugares públicos, eventos sociais, grupo de auto-ajuda e até mesmo em funerais.

Pensei que isso bastasse...

Pensei que o amor pudesse crescer sendo alimentado apenas por um dos lados e que o tempo reverteria o processo, ou pelo menos o igualaria.

Pensei que isso bastasse...

Pensei que minha tristeza colocada em frases tortas e minha alegria descrita em versos sem rima mostrassem em profundidade minha alma.

Pensei que isso bastasse...

Pensei que meu amor, essa tal necessidade vital de te querer que impregna meus olhos, pudesse encher de alegria e plenitude esse teu mundo escuro, solitário.

Pensei que isso bastasse...

Mas, tu consomes o que tocas, como um buraco negro que engole tudo ao seu redor, sem distinção, sem julgamentos, sem ponderações. Tu te aproprias e ao mesmo tempo declinas dessa posse. Alguém que tem a sorte de possuir tudo, mas vive do nada por escolha, por capricho.

Pensei que isso bastasse...

Mas na angústia que te faz querer buscar novos horizontes, infelizmente mais sombrios, tu és sugado para dentro de ti mesmo. E nesse espaço vazio, de constantes tormentos, gritas:

“- Pensei que fosse suficiente... sentir-me feliz, generoso...”

Pensei que isso bastasse...

Pensei.
(.)

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