domingo, 22 de dezembro de 2013

Filas, paçocas e bem-querer


A casa lotérica derramava gente pela calçada, mas de onde eu estava dava pra ver o começo da fila. Três atendentes, dois rapazes e uma moça tentavam, sem muito sucesso, dar cabo das curvas que se encaracolavam naquele espaço minúsculo. Era da moça, a responsabilidade da fila preferencial. 

Antes de chegar a vez da senhora com saia de passarinhos, vi um homem baixinho se adiantar até a atendente e, com dois toques feitos com o dedo indicador, conseguir a atenção da moça por trás do vidro. Ela sorriu e lhe entregou dinheiro. Junto do gesto, uma expressão apenas: "o de sempre!"

Ele se virou seguindo a orientação e saiu da casa lotérica. Dois atendimentos depois e eu já tinha me esquecido da cena até que, uns vinte minutos depois, vejo o homem voltar com uma marmitex. A moça que já tinha encerrado o atendimento do seu guichê, abriu a porta para receber a encomenda e após um breve agradecimento, foi surpreendida com uma paçoquinha que o homem tirou do bolso e entregou junto com um sorriso.

Passei o resto daquele dia me perguntando quanto de bem-querer coube naquele gesto e quantos gestos de amor podem existir no tempo que dura uma fila? 

Imagem capturada aqui.

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