terça-feira, 12 de agosto de 2014

Teletransporte


Cabia mais do que se podia prever naquele sorriso fechado e no apertar dos olhos grandes. Esse era o sinal pouco preocupado em disfarçar a vontade de desordenar o mundo só para testar os limites entre a teoria e a prática, entre o real e o fictício. Naquele tempo, tudo no mundo tinha um quê de faltar algo, nem que fosse um suspiro comprido e carregado de vontades.

Pular de cima da árvore com um guarda-chuva e torcer com toda força do mundo para voar carregado pela brisa; virar o chinelo ao contrário e correr até a porta para impedir o azar de entrar; tomar banho depois de almoçar e não passar mal; misturar leite com manga na mesma batida e jogar baralho escondido durante a quaresma sem ser atormentado pelo capeta... Bons tempos em que o desafio era só provar ao mundo que as teorias da avó eram ultrapassadas.

Experimento, agora, o contrário: estico o sorriso, aperto os olhos grandes, esqueço os limites da física e tento brincar de teletransporte.

Vai que dá certo!

Imagem de Beth Hoeckel

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