domingo, 16 de novembro de 2014

Precipícios particulares


Ultimamente, para dentro de mim mesmo eu pareço cair. Vivo trasbordamentos pelo avesso. Sabe espelhos por todos os lados? Pois é. Porque a verdade é que você sabe que está ali, olhando para aquele rosto e sabendo que é você mesmo, mas se enxergando de outro modo.

Um desdobrar-se. Por vezes, esgarçar-se. 
Certezas? Mexe. Mexe. Mexe.

Cabeça, olhos e dedos na lua desse infinito particular. Pés a flutuar em gravidade zero. A vontade é voltar para um lugar seguro, mas na volta dá pra se achar e se reconhecer? Como ser maleável consigo quando seu ombro tá doendo e você sabe que é o peso de suas escolhas?

Eu que já desejei exclamações, ando de namoro com interrogações pra ir pra cama com afirmações. Uma gramática da vida onde não é preciso falar nada, onde as aprovações alheias passem à margem desse silêncio bom que sempre me ajuda a encontrar o vento que me refrigera inteiro.

É possível ser feliz só desejando ventos?
É possível ser feliz só desejando?
É possível ser feliz só?
É possível ser feliz?
É possível?
É.

Foto: Wolney Fernandes

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